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Minhas Resoluções para 2018 – ou Por Que Não Vou Ter Nehuma
Por Ana Maria Barth
22 de dezembro de 2017

Minhas Resoluções para 2018 – ou Por Que Não Vou Ter Nehuma

– passar mais tempo com família e amigos

– aprender um novo idioma

– economizar dinheiro

– ser uma pessoa melhor

Essas seriam algumas das minhas resoluções para 2018. De novo. Já perdi a conta de quantos anos venho mentalizando tais objetivos – e falhando vez após outra. E sei que não sou a única, né?

A verdade é que idealizamos essas resoluções com o único fim de “cumprir tabela”, porque é isso que as pessoas “bem sucedidas” fazem, não é mesmo? Elas elaboram metas, estipulam prazos, traçam um caminho preciso até determinado objetivo  – elas não vivem à deriva.

Para 2017 eu não havia feito uma listinha com minhas resoluções (afinal, elas são basicamente sempre as mesmas), mas havia um projeto que era meu desejo principal: iniciar em um estágio na área que estudo. Você já deve ter passado pela situação de acordar pela manhã com uma preocupação, uma meta que talvez não seja atingida, que não depende só de você e ir dormir com ela depois, né? E que tal passar quase o ano inteiro com ela?

Foi assim que passei 10 meses do meu 2017 – todos os dias pensava que tinha que me mexer, que precisava tomar uma atitude, que ninguém ia fazer isso por mim entre outros conhecidos clichês que fazem aquele mix ótimo de incentivo e auto-sabotagem. Eu não podia fazer brotar uma vaga de estágio e muito menos coagir as pessoas a me contratar (inúmeras vezes minha vontade foi essa).

Acontece que quase tudo está fora do nosso controle. Temos a necessidade de imaginar o ano seguinte como uma narrativa com início, meio e fim, e é difícil admitir e lidar com a certeza da incerteza. Por esse motivo muitas das resoluções que estabelecemos para nosso ano novo acabam surtindo o efeito oposto ao desejado. Ou seja, trazem ansiedade, nervosismo, insegurança e aquela sensação de que a gente não vai conseguir – ao contrário de nos dar a tranquilidade (do tipo “ufa, tenho um plano, está tudo bem”). Até porque, você tem um plano?

Além disso, acredito que muitas de nós seguimos esse ritual de formular metas por imposição social. É aquela prática de capa-de-revista que todos estão seguindo, falando sobre e você se sente excluída por não seguir também. Ou simplesmente frustrada por não estar buscando melhorar de alguma forma. Por que isso é o que as mulheres tem que fazer, né? Melhorar sempre.

Aliás, nós, mulheres, já somos normalmente muito mais cobradas, cobrança que triplica nessa época do ano. O que você está planejando? Como vai conseguir? Quem vai salvar?

É comum que o ano seguinte seja encarado como uma “salvação” do ano que passou. Vemos isso na tv, na mídia impressa, na internet: “o que você pode fazer melhor no próximo ano?”. Aqui, questiono: não seriam as resoluções um band-aid que trocamos a cada virada de ano? Se a expectativa é que as feridas passadas já estejam curadas  saiba que não é esse “band-aid” que vai evitar as novas.

A verdade é que cansa tratar o ano que está chegando como um tempo para fazer tudo diferente. A vida precisa de um encadeamento, um curso, não podemos querer pular etapas e interferir no ciclo natural das coisas.

Claro que todos estamos fazendo planos que 2018 seja um ano melhor. E não me entenda mal! Eu quero MUITO que 2018 seja incrível. Mas qual foi a virada em que pensamos o contrário (“quero que esse ano seja horrível”) ou que desejamos que o próximo ano fosse igual ao que acabou (“queria que esse ano nunca acabasse!”)?

Minha proposta é que para 2018 elaboremos resoluções sem prazo. Nem 2018, nem 2019 e nem nunca será o último ano para você resolver todos os seus problemas. Mas esse pode ser o ano em que você vai dar os primeiros passos para que o seu objetivo – não importa quando – aconteça.

Que tal iniciar o ano sendo gentil consigo mesma? Que tal dar esse primeiro passo em 2018 livre de toda e qualquer atucanação sobre ser uma pessoa melhor, fazer tudo diferente, começar do zero, ou, ainda pior: emagrecer, ganhar dinheiro, casar, ser a melhor no que faz – ou qualquer imposição de capa-de-revista?

Quem sabe no início de 2018 eu sinta vontade de elaborar minhas resoluções, quem sabe não. Ainda preciso sentir qual será a direção dos ventos. Mas, acima de tudo, acredito que temos que confiar nas possibilidades e sempre nos permitir, porque está mais que na hora de aceitarmos que cada um precisa de tempo e espaço para evoluir em seu próprio ritmo.

BEIJOS DE LUZ #PAS

créditos Merve Ozaslan

 

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Ana Maria Barth

Sobre a autora

Ana Maria Barth
Bacharela em História, sempre direcionou seus estudos para a área das artes – e qual é a manifestação artística mais corriqueira e democrática que o vestir? Hoje estuda Design de Moda e trabalha com produção de conteúdo para redes sociais n’A Imaculada e Portal Fashion RS. Adepta do famigerado “lookinho do dia”, Ana ama explorar as inúmeras possibilidades que não ter um estilo definido proporciona.

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