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Esportes, Produtos, Looks e Manifestações que você vai Apoiar, Querer Usar ou Questionar em 2018
Por Gabriela Casartelli
19 de Fevereiro de 2018

Esportes, Produtos, Looks e Manifestações que você vai Apoiar, Querer Usar ou Questionar em 2018

Fazer uma matéria sobre tendências em um momento tão volátil e flexível e em um cenário tão múltiplo da sociedade, da moda e da política – onde existe uma mistura de gerações, uma flexibilidade na forma de interpretar e enfrentar o mundo e, inclusive, de consumir e de agir como ser político – é difícil, bem difícil. As tendências comportamentais, políticas, estéticas nada mais são do que reflexos desses momentos históricos que passamos de forma interna e externa // como pessoa e como sociedade // e que colocamos pra fora da melhor maneira que encontramos para nos expressarmos.

Isso se espelha de uma forma direta na nossa vida e na nossa bolha. Especialmente porque através das redes sociais a gente consegue enxergar e identificar (e até mapear) cada uma dessas manifestações. Ali é fácil entender onde nos encaixamos, a qual momento (e não grupo ou tribo) pertencemos e no que queremos focar as nossas vidas profissionais, amorosas e estéticas. É olhando para esse mapa vivo de manifestações, de escolhas estéticas e expressões pessoais que comecei a identificar alguns dos itens que trago abaixo.

De qualquer forma parece impossível prever algo nesse “museu de grandes novidades” que segue de pé e que seguimos revisitando. Por isso a(s) tendência(s) que você vai ver aqui talvez não seja(m) nova(s), mas tenha sim um novo olhar sobre ela. E, ainda assim, fica ainda mais difícil escrever essa matéria porque sempre fui tão crítica e cética com previsões/tendencias/rumos quando eles, na verdade, já eram fatos reais e palpáveis nas ruas e nas vidas das pessoas.

O que vou sinalizar aqui são manifestações que – como eu comentei – surgiram em diferentes cenários, encabeçadas por diferentes pessoas, grupos, em diferentes locais e que parecem nortear algumas mudanças ou caminhos para o futuro. Não precisamos fazer parte, ou segui-las. Nada é obrigatório ou definitivo. Mas entender como se conectam e o que pode se ramificar a partir delas é um dos exercícios mais legais de fazer quando nos debruçamos por mais do que alguns segundos sobre uma informação ou imagem.

1. Ultraviolet, a astrologia e a nova espiritualidade: você acha que foi à toa que a cor do ano de 2018 definida pela Pantone foi esse roxo holístico? Não foi não. Quem diria que você, que há poucos anos começou com pequenas doses mensais (e secretas) de Susan Miller estaria hoje calculando os graus do seu mapa com e aguardando o próximo eclipse. Ou simplesmente acompanhando diariamente os stories da nova insta-astro-celeb @br000na? Cristais, tarô, Reiki e astrologia agora fazem parte da sua vida. E da minha também. Tudo bem! Bem vindo! Ao que tudo indica vamos ter bem mais espaços para falar sobre o conceito, estudar outras terapias e compartilhar desse novo lifestyle and paixão – e já temos um representante local que é o bar Cósmica.

2. Patinação artística/clássica, por favor: Confesso que posso soar tendenciosa, mas acho que dessa vez vai. Estou aguardando a volta da patinação clássica (sobre quadro rodas, 2 a 2 paralelas) desde a minha infância – acompanhando todos os torneios, filmes, olimpíadas e brasileiros campeões. Mas nesse ano o presente foi grande com o filme I, Tonya trazendo o esporte à tona em um filme de qualidade, indicado a 3 Oscars, enquanto isso as Olimpíadas de Inverno sendo transmitidas ao vivo na maior emissora do país, 01 clube de Roller Derby acontecendo em plena Porto Alegre (!) e patinação presente não só em várias campanhas, mas também em coleções renomadas – é pra valer dessa vez né?

3. A volta das meia-calças COLORIDAS: em 2016 começou o ensaio, em 2017 rolou na gringa apontando que seria uma das trends de 2018. Agora nos resta esperar – ou ver se vem aquela coragem de usar no inverno que se aproxima. Querendo ou não, as meias calças coloridas tem conexão direta com a patinação (será que ambas as tendências tem a mesma origem?).  O desdobramento acontece depois da alta das meias curtinhas, com sapatos masculinos – e vem revisitada, claro. Nada de sapatilhas e vestidinhos fofos. Agora a meia calça vem com uma cara estranho-feia (sobre as quais você vai ler mais adiante) e com combinações inusitadas.

4. Yoga Reboot: estudos indicam que a prática da Yoga pode ter mais de 5000 anos e quem sou eu pra dizer que só agora essa filosofia é uma tendência? PORÉM, assim como existe uma manifestação de olhar pra dentro e para os astros, é natural que exista também essa movimentação natural de buscar um “esporte” que faça uma conexão espiritual e corporal mais intensa do que uma simples academia. Isso porque as pessoas não estão só atrás de uma aula em grupo de faça o corpo se mexer, mas em busca de um movimento com significado e com ancestralidade – e a Yoga é exatamente isso: uma prática holística fortemente enraizada no “mindfulness” e preocupada com o TODO e não só com a força do corpo físico. Não é a toa que a antenadíssima Melissa também já fez o Yoga Mat da marca!

4.1 Face Yoga: Nas revistas de modas e de saúde e até no The Guardian, só se fala em Face Yoga. Na verdade são exercícios faciais já conhecidos que movimentam e massageiam os músculos do rosto – já meio esquecidos e que não se mexem muito. A principio são exercícios que gastam alguns minutos por dia e que diminuem as linhas de expressão, levantam os olhos, tonificam as bochechas e o pescoço e mais. É fazer para ver!

5. Cosméticos e remédios naturais: tivemos um preview disso agora no carnaval, com a força (linda) com que vieram os glitters biodegradáveis. Essa manifestação faz parte de algo bem maior que é a busca por produtos naturais que não agridem nem você, seu corpo e nem o meio ambiente, seu mundo. Eles vão de shampoos e cremes hidratantes até remédios (mesmo!) alternativos como acupuntura e ventosaterapia. Precisa explicar mais?

6. Pele falsa, muito falsa: pouco dinheiro, ou consciência ecológica? Eu chutaria nos dois e acrescentaria um item, o ineditismo. Além de ser mais barata e proteger os bichinhos (essencial, hoje) a pele falsa dá uma permissão de ousar mais em cima da criação, já que a cor, a espessura, a textura e tudo que faz parte do pêlo pode ser editado e criado conforme a vontade do designer. Um dos maiores exemplos para mim é a Shrimps – uma marca britânica de moda feminina que não tem medo de ousar nas pelagens falsianes.

7. Coisas “Feia”ou The Ugly Trend: Na minha opinião um protesto contra a perfeição tornando o feio também belo. O feio se torna um manifesto e uma crítica à todas as vidas “perfeitas” da internet e mostra que para toda tendência existe uma contra-tendência e essa diz que o feio é, sim, bonito e admirável. Ser bonito é fácil, mas ser feio é protesto. Aceitar o feio é um exercício extra. É propor que você reflita sobre como o fora do comum pode ser belo se você quebrar as suas regras estéticas. Para minha vó isso seria se “enfeiar” – entendo ela, que veio de um momento histórico diferente. Pra mim, é critica e é protesto. Para outra pessoa pode ser só moda. Um fato que nos une: é tendência.

8. E como eu disse que uma coisa se mistura com a outra, o segundo ponto é o Questionamento dos Padrões Impostos Femininos: Porque as mulheres não precisam de cabelos longos, decotes, vestidos e saltos para serem femininas. Dá pra entender? (Claro que não precisam abrir mão de nenhum desses para provarem inteligência, mas estamos pontuando o olhar contra o padrão estabelecido). Quando a mulher veste uma roupa menos feminina, corta os cabelos, deixa os pêlos da axila crescerem ela só quer uma coisa: mostrar que ela é linda de qualquer forma PORQUE ELA SE SENTE LINDA. A questão da beleza é muito mais pessoal do que externa, na verdade não é uma questão de aceitação. O cabelo curto, a falta de maquiagem, a roupa “sem gênero” e outros itens não-femininos serão adotados cada vez mais por – aceitem – mulheres muito femininas.

9. Aceitação de mim, dos outros. Representatividade: quando eu me aceito o outro me aceita mais facilmente. Quando eu me entendo os outros me entendem mais facilmente. Certo ou errado? Também não sei a resposta exata – porque é bem pessoal. O que entendo por isso é que essa TENDÊNCIA já é realidade – mas infelizmente ainda tem muito para evoluir. A nossa bolha (a minha, tenho sorte, já entendeu e respeitou as diferenças) é privilegiada. Mas se você está vendo nos holofotes mais membros da comunidade LGBT+, negros, índios, favelados, mulheres, gordas, velhas e outras tantas minorias que estavam escondidas embaixo dos tapetes da nossa sociedade branca, magra e macha é porque todas essas pessoas estão entendendo e colocando pra fora a beleza do seu papel E SUA FORÇA no mundo. E as agências e os clientes também estão vendo isso. Então podem esperar muito poder de fala, posicionamento, crítica e orgulho de estar na rua e quebrar padrões normatizadores.

10. Sites, redes, grupos e apps que fortalecem as relações dessas minorias: Como os aplicativos de transporte exclusivo para mulheres Venuxx e Femini Driver (que já estão em funcionamento aqui no RS); de combate a violência contra a mulher, como o Mete a Colher ou de conexão para mais segurança entre as mulheres, como o gaúcho Vamos Juntas, da Babi Souza ou o também gaúcho Se Essa Rua Fosse Nossa, de Laura Krebs; ou o aplicativo TODXS que aproxima os direitos, os dados, as ONGs e a possibilidade de realizar denúncias do público LGBT+. No mesmo viés, mas com o olhar mais pedagógico está o Freeda, uma rede/sistema de certificação com foco no respeito a diversidade sexual e de gênero.

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Gabriela Casartelli

Sobre a autora

Gabriela Casartelli
Jornalista, consultora de moda, stylist, produtora e uma verdadeira "problem solver". Hoje também é editora-chefe do Portal Fashion RS, depois de trabalhar em diferentes revistas especializadas em moda. Reúne na bagagem experiência com alguns dos maiores players do mercado de moda nacional. Acredita que a moda transforma as pessoas, abre mentes e é uma ferramenta de quebra de barreiras e de preconceitos!

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