Texto por Emily Blanco enviada especial do FashionRS

O Zoom do varejo é um evento pra a gente se inspirar a inovar através dos cases e dos insights dos palestrantes, cujo time era composto por Andrea Bisker — da Sparkhof-, Taisa Bornhofen — Diretora da Posthaus-Ana Luiza Ferrão Cardoso — Diretora das lojas GANG- e Élio Silva-vice presidente da C&A.

Pra começar, não estamos mais falando em tendências, mas em REALIDADE. As duas realidades em voga são:

  1. Empoderamento feminino — que um dia já foi tendência e hoje é o que já está se construindo (vide caso da menina do RJ, em que muitas mulheres se uniram para auxiliá-la defendê-la e difundir uma reflexão sobre o fato).
  2. Transgressão de gênero. Hoje você pode não declarar mais seu gênero, pode transitar, circular e se permitir muito mais.

A partir daí, Andrea Biskoff, em seu ano sabático, nos apresenta a “linha do tempo” das revoluções do comportamento humano na questão do consumo, até chegar na Economia Colaborativa que buscamos cada vez mais:

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“Com o surgimento do prêt-à-porter, o maior desejo das pessoas era TER. Superamos isso e passamos à busca pelo SER, depois pelon PERTENCER e, agora, vivemos a Revolução Afetiva.”

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Andrea deu aos participantes do evento uma série de dicas e de cases como exemplos sobre o assunto:

  1. Curitiba Eco Elétrico: Compartilhamento de carros elétricos em Curitiba, apoiados pela prefeitura;
  2. Seasonless fashion: a gente não vive mais uma estação do ano a cada três meses. Primeiro por uma questão global, segundo porque transitamos, viajamos e podemos misturar os signos de cada estação. Por isso, as marcas e as lojas não precisam mais oferecer essa segmentação aos consumidores;
  3. See now, built now: a busca agora não é apenas por ver um produto e comprar na hora, antes que fique obsoleto, mas por fazer parte do desenvolvimento dele, estar no DNA do que se consome;
  4. Genderless Fashion: não há mais motivos para dividir o que é feminino do que masculino na moda, os usuários compram aquilo com o que se identificam.
  5. Slow Fashion: as pessoas estão cada vez mais buscando produtos que sejam duradouros, em detrimento da busca pelo novo, que, por muito tempo foi característica da moda.
    “O design in ganha força sobre made in. Sob essa ótica existe uma tendência de desaceleração.”
  6. Co-retailing e compartilhamento de lojas: lugares onde as pessoas possam fazer compras, refeições, encontrarem-se — que possibilitem vivências aos frequentadores e que proporcionem um bom custo benefício aos produtores. São bons exemplos: Cartel 011, It brands, House of Bubbles…
  7. Storytelling meets storydoing: se antes as marcas contavam histórias para encantar os clientes, hoje as pessoas são parte da história da criação e da identidade das marcas.

A Revolução Afetiva, muito resumidamente, significa a necessidade de as pessoas viverem experiências e não mais serem apenas clientes. O que nos leva muito ao trabalho da Posthaus, pois a empresa trabalha com vendas 100% online, fazendo com quem quem compra seja muito mais usuário do que consumidor. Outro fato sobre a empresa é que vem crescendo muito o investimento e o número de vendas via mobile-que é um padrão de compra bem característico da Geração Z.

We make the rules

E, falando em geração Z, o reposicionamento da Gang se deu, principalmente, através do contato direto com os próprios. Eles contataram 4 bosses da geração e chamaram essa galera para realmente criar junto a campanha e a comunicação da marca. E daí veio a dica da Ana Luíza:

Toda a empresa precisa vivenciar os seus valores.

Moda como missão. Jovem como protagonista.

E, a partir dessa experiência, todas as campanhas passaram a ter mais “essência” e muito dessa essência é a diversidade da própria geração Z, livre de preconceitos e aberta ao diferente.

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Menos produto e preço, mais pessoas!

E nessa história de misturar e aceitar o diferente, a C&A, após uma imersão de volta ao início da sua história — em busca de reencontrar o DNA da empresa — , também se reposicionou e seguiu por esse caminho.

“Estamos num país que nasceu se misturando, por isso a proposta é combinar.”

“Antes, com a mídia de massa, você recebia as referências e tinha de aceitar o que era imposto. Hoje você é a referência”

Élio contou que foi com esse pensamento que a C&A deu mais um passo na ousadia e criou o Dia dos Misturados — que, apesar da polêmica, deu muito mais visibilidade à campanha — e deixou a dicas:

Não há mais lugar para o safe place: toda marca precisa se posicionar;

Não dá mais para falar de preço e de produto, é necessário falar de e com pessoas.

Ao final, os palestrantes se juntaram para instigar os presentes a criarem ações criativas, inovadora e disruptivas no seu trabalho — e, por que não, na vida?

  1. Invista em planejamento;
  2. Saiba errar rápido;
  3. Invista em comunicação criativa;
  4. Busque conteúdo relevante e traga ele para o seu público;
  5. Deixe clara sua causa;
  6. Se comunique bem com o público interno tanto quanto com o externo;
  7. Administrativo também precisa viver a loja e a ponta onde tudo acontece;
  8. Incentive jovens talentos com foco na arte;
  9. Valorize a comunidade local;
  10. Seja rentável.