Costanza Pascolato causa furor por onde passa. Seja pelo estilo, pela inteligência, pela mente atualizada e contemporânea, por todo o conhecimento de moda que carrega na memória e no look. Sentar ao lado dela é receber uma aula com informações da economia internacional, tendências das últimas semanas de moda, discussão sobre gênero, quarto sexo e sobre estilo próprio. Tudo isso veio à tona nos curtos 5 minutos (na verdade 07:01 contados no relógio) que tivemos para bater um papo com ela, em uma disputa entre jornalistas, fashionistas, blogueiras por entre as araras da Spezzato do Iguatemi – responsável pela presença da musa aqui em Porto Alegre na última quinta-feira.

vinidallarosa(Spezzato_Constanza)-4446
Costanza sendo Costanza! Foto: Vini Dalla Rosa

A presença da Costanza é um presente da Spezzato para as consumidoras da marca nesse março – que é o Mês da Mulher. Depois de uma pesquisa feita entre as clientes, a sócia da marca Andréa Kurbhi, identificou um carinho e uma curiosidade especial em relação a Costanza.

Símbolo de elegância – sem esquecer do bom humor – Costanza é unanimidade. E a pesquisa da Spezzato confirmou isso. Ela não é só aquela mulher que comandou a Claudia e a Claudia Moda, ou que foi responsável por uma coluna na Folha de São Paulo e da Vogue Brasil, onde se mantém há 23 anos. Através da Tecelagem Santaconstancia, fundada pelos pais e até hoje administrada pela família, faz parte da história da moda no Brasil.

11068762_10203842464334431_294402860_n
Eu tietando a diva só na selfie. Vejam lá no @gabcasartelli como ficou! Foto: Andréa Graiz (Rede Social ZH)

OS NOVOS CAMINHOS DA MODA

Com toda essa experiência sobre o mercado, inclusive o internacional, onde Costanza marca presença sazonalmente nas Semanas de Moda, fica mais claro entender os rumos que a moda está tomando.

Refletindo sobre as últimas que aconteceram em NYC, Londres, Milão e Paris, Costanza observa que quanto maior a empresa ou a Maison, “pior é para a roupa”. Isso porque, segundo ela, os designers não estão seduzem mais a consumidora pela roupa e, sim, pelos acessórios (especialmente bolsas e sapatos) – que representam 70% da venda dos produtos de moda dessas grandes marcas.

“Tudo que a gente vê de interessante nas passarelas são desafios aceitos por designers jovens que se propõem a fazer algo que mude a cara do contemporâneo”, explica Costanza. É claro que a moda é sempre um “patchwork de referências passadas”, como ela mesma explica. Na Gucci, essas referências do passado deixaram a era rígida e se atualizaram. “O novo diretor criativo da Gucci [Alessandro Michele, que assumiu em janeiro] tira essa cara de classe média de luxo e bota na passarela o que ele veste e o que os amigos dele vestem, ou seja, uma coisa mais ‘brecholenta’ com referências de tudo que já foi importante no passado.” Entre essas referências está a camisa do Saint Laurent, o “amassadinho” da Prada que dá aparência de roupa guardada no baú, etc.

vinidallarosa(Spezzato_Constanza)-4500vinidallarosa(Spezzato_Constanza)-4233 Constanza Pascolato
Dois lados incríveis da mesma mulher! Fotos: Vini Dalla Rosa

Para Costanza, quem inova na moda são os designers que, como tantos nessas últimas semanas de moda, fizeram misturas de cores e de texturas que “dão uma personalizada no look”. Além disso, outro ponto importante que está em discussão (aberta) há no mínimo sete anos, segundo ela, na moda é a questão da androginia. “Tanto a masculina como a feminina. Essa discussão do quarto sexo na moda traz outro aspecto de apresentação de gênero e continua sendo inovador”, completa.

O assunto, polêmico para grandes empresas, fica em segundo plano e Costanza explica o porquê: “essas marcas tem que atingir mercados no mundo inteiro e é muito complicado ir para a China e falar em gênero, certo?”. E se os nichos, as marcas e os grandes estilistas tem que atingir pessoas de poder aquisitivo em países que ainda tem dinheiro para gastar, é ainda mais difícil de levantar essa discussão que é, sim, inovadora. “A moda mudou bastante por causa da influência de países emergentes e de diferentes culturas então ela acaba ficando mais neutra”, complementa Costanza sobre esse posicionamento tímido em relação a novos pontos de inovação.

NÓS PERGUNTAMOS, ELA RESPONDE

vinidallarosa(Spezzato_Constanza)-4323
No momento da entrevista para o #FRS. Foto: Vini Dalla Rosa

FASHIONRS: Quem trabalha com moda tem que ter?
COSTANZA PASCOLATO: Olho vivo, curiosidade e cultura (pelo menos um pouco – risos)

FRS: A Costanza segue tendências?
CP: Eu pra mim? Eu não! Faz tempo que eu estou fazendo um trabalho de equilibrista para ver  o que ainda consigo vestir – apesar de ser magrinha e tudo mais – na minha idade. Gosto de estar bem confortável e do jeito que eu gosto. Faz tempo que eu sei o que quero.

FRS: O teu estilo mudou muito ao longo da vida?
CP: Não, ele vai se adaptando. O estilo sempre é a representação daquilo que você está passando e vivendo naquela época. E tem épocas que você não se encontra, que você está mudando de idade. É complicado, apesar de toda vida ter sido mais pro ‘discreta’ do que para a ‘exuberante ou exibida’. Na verdade eu tive que me adaptar às mudanças.

FRS: O que tu diria para a Costanza que começou a trabalhar com moda lá atrás?
CP: Nada. Porque ela já sabia que tinha que prestar atenção em tudo e trabalhar muito. Isso foi o que eu fiz e ainda faço.

Quem quer conhecer mais a Costanza pode começar comprando um dos três livros escritos ao longo da carreira: “O Essencial – o que você precisa para saber viver com mais estilo” é um best seller lançado em 1990 com dicas para viver melhor e de forma mais agradável. Outro é o “Como ser uma modelo de sucesso” e, o mais recente, “Confidencial – segredos de moda, estilo e bem-viver”, mescla reflexões e histórias da sua vida pessoal com dicas e análises sobre moda e estilo.