Sigo tentando ser uma consumidora mais consciente. E ver pessoas que conseguem me inspiram muito.

Hoje vou falar sobre um exemplo que eu almejo conquistar um dia: mais do que parar de comprar fast fashion, mas se esforçar em saber de onde minhas roupas vieram.

Quem tem tempo pra fazer essas coisas, certo? Bom, eu tenho uma amiga que foi lá e fez. Eu já havia citado a Ariana em outro post, falando em como ela tem um guarda-roupa super coeso e pequeno, tendo as peças certas (e maravilhosas!) e evitando o excesso sem uso dos nossos armários.

Ter um número mais compacto de roupas ajudou muito na tarefa, morar na França também. Deixo essa inspiração pra vocês:

Ariana

“Eu tento acompanhar toda a jornada das minhas roupas, da fábrica às lojas, na esperança de me tornar uma consumidora mais educada”, ela diz. Com formação em sustentabilidade, ela sabe o peso ecológico e social de cada compra que fazemos: água, fibras sintéticas não bio-degradáveis, trabalho escravo, etc.

Em uma postagem no blog Paris To Go (didica ótima para quem gosta de Paris, gluten-free e moda), ela decupou todo seu guarda-roupa, dividindo-o em 6 categorias: casacos, vestidos, calças, tops, sapatos, acessórios e outros (meias, lingeries, etc).

Dentro dessas categorias, ela analisou peça por peça, indo atrás dos fabricantes para entender. Todas suas peças são de segunda mão (até o vestido de noiva!!!!!), e seu único impeditivo na hora de comprar é saber se as fibras são compostáveis.

Mas ela quis ir além: mais do que comprar peças que já existem, ela quis saber de onde vieram. Por exemplo, ela tem 4 vestidos (sim, apenas), e sabe exatamente de onde eles vieram: um Dior vintage (ai, França <3), cuja matéria prima e de obra são francesas, um LK Bennet feito num “lovely enviroment” inglês, um vestido de algodão feto na Itália, numa região infelizmente conhecida pela mão de obra chinesa, e um da marca Portobello, feito à mão em Bali. Mesmo sendo cuidadoso, não tem como escapar. Como Ariana afirmou, “toda a indústria de manufaturas é falha”.

No contexto brasileiro, ainda é muito caro comprar roupa nacional. Nós, gaúchos, temos mais sorte nisso graças às fábricas de sapato e malha do nosso interior, mas em geral não vale a pena. Impostos, mão de obra especializada, distância – tudo pesa no preço final. Ou ainda compramos marcas nacionais e acabamos incentivando abusos como o trabalho escravo.

Daí claro que acabamos caindo na facilidade do fast fashion, com as etiquetas jogando na nossa cara made in Camboja. E lá sabemos o que ocorre. Se não viram a série norueguesa que viralizou no final de janeiro, Sweatshop – Dead Cheap Fashionassistam agora.

O que fazer? Pra onde correr? Compre menos, compre melhor, compre local.

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