Iniciou hoje, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre/RS, um evento inédito no cenário calçadista: a Maratona MUDE. O consagrado estilista Lino Villaventura, que está orientando as equipes durante a batalha criativa, avalia as falhas no ensino de Moda no País e destaca a importância de iniciativas como a promovida pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) como forma de tirar os criadores da zona de conforto e incentivá-los na busca de uma “revolução criativa”.

Há mais de quatro décadas inovando na cena fashion brasileira, Villaventura é referência mundial quando o assunto é moda. Além disso, o estilista paraense e multifacetado cria para os segmentos de móveis e decoração e realiza trabalhos como figurinista de cinema e teatro. Apostando sempre nas referências regionais em sinergia com a alta-costura, Villaventura é reconhecido por um estilo único, fator que a Maratona MUDE busca incentivar no segmento de sapatos.

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Confira uma entrevista exclusiva com o estilista.

Qual é a importância de projetos como a maratona MUDE?
O primeiro objetivo de um projeto como esse é incentivar um design bem brasileiro, pois qualidade já possuímos, o que falta é identidade. A indústria têxtil está caminhando para firmar uma imagem de moda e no setor calçadista ainda falta muito para se conseguir esse tipo de resultado. Então esse projeto tem como objetivo justamente incentivar as pessoas criativas, os profissionais que têm como desejo inovar no design de calçados.

Como você avalia o ensino de moda no Brasil?
O ensino de moda deveria ser muito mais amplo do que é, pois moda não é só a roupa em si. A moda é muito mais abrangente e necessita de incentivo em diversos segmentos, principalmente na parte da execução da roupa. É essencial incentivar e mostrar a importância dos modelistas, cortadores, costureiros e profissionais que fazem o trabalho manual, fundamental para criar roupas de qualidade na produção industrial. Curso de estilismo não se cria sozinho. Na verdade, os cursos de estilismo no Brasil estão servindo muito mais para criar novas blogueiras. Precisamos de mão de obra profissionalizada para a indústria brasileira.

O que consideras que é a brasilidade tão comentada no segmento da moda?
Brasilidade já um conceito muito colonizado que os brasileiros inventaram para tratar de um produto feito no Brasil. Somos todos brasileiros, não precisamos forçar e pesquisar isso, pois já possuímos isso em nosso universo, conceitos e conhecimentos culturais. Esse termo é utilizado para incentivar que os trabalhos tenham mais identidade de moda. O Brasil é um país no qual tudo é muito recente, inclusive a cultura de moda.

O que é ousar na produção de um calçado?
A originalidade, só isso. É muito fácil. Não é preciso, para ousar, fazer rebuscamento e enfeitar. A ousadia é quando você cria um novo corte, uma nova forma, uma maneira diferente de fazer um sapato. É preciso ter senso estético, principalmente ao fazer um sapato, para fazer com que ele não seja apenas um calçado, mas que ele seja especial.

Muito se fala sobre a cultura do “copia e cola” no setor calçadista brasileiro, com relação às cópias de produtos internacionais. Como avalias essa situação?
Isso é cópia e é uma coisa terrível. Quando você faz uma viagem ou vai ver algo novo que está acontecendo deve ser apenas para se incentivar e inspirar. Mas olhar e copiar é roubo de ideias, assim como a pirataria.

Que estilistas brasileiros que consideras referência no quesito inovação?
Referências autorais sempre podem ser incentivadoras, acho que o meu próprio trabalho, por exemplo. Os trabalhos dos estilistas Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga possuem uma identidade muito forte, cada um de nós de uma maneira diferente.

O que indicaria como exercício de criatividade para quem trabalha no setor?
O exercício é ser curioso e se interessar, saber olhar e ver o que está passando pela sua vida e pela sua frente. E sempre ter a emoção quando descobre uma nova ideia. É preciso sempre ter segurança no que se faz e ter autocrítica para saber até onde você pode ir.

Sobre a Maratona MUDE

Além da batalha criativa, que desafia quatro equipes de designers a produzir três protótipos de calçados em 24 horas ininterruptas a contar das 10 horas do dia 26, o evento contará com palestras e workshops com temas relacionados à criatividade, tecnologia, brand experience, entre outros.

Os ingressos para a Maratona MUDE estão sendo vendidos exclusivamente através do site www.maratonamude.com.br a R$ 100 para o público em geral e R$ 50 para associados da Abicalçados e estudantes.

A Maratona MUDE é uma realização da Abicalçados e Brazilian Footwear que conta com patrocínio da Apex-Brasil, Francal Feiras e Grupo Couromoda. A parceria é da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), IED e Usefashion.

Mais informações e inscrições no site www.maratonamude.com.br.