Como podemos interpretar os sinais da natureza, somar ao das passarelas e reciclar o das ruas para construirmos uma moda mais vida-real? Conversamos com Alexandra Farah, jornalista de moda da Bandnews TV, Jornal Metro e Revista Vogue, sobre comunicação com conteúdo, tendências e moda brasileira de verdade

Alê Farah faz jornalismo-econômico-de-moda há cerca de quatro anos. Cansada de falar de tendências, por satisfação pessoal optou pelo caminho mais difícil do jornalismo desgastado e maçante de moda, já que ninguém falava da ligação do tema com a economia em veículos brasileiros.

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O grande dilema de profissionais como Alê é discutir, investigar, conhecer os assuntos e a indústria de moda a fundo para que se possa falar mais sobre a realidade do mercado. “Eu não quero só saber se ‘está se usando’ oncinha, mas quero saber como e porque aquela oncinha está sendo usada, se ela é feita de uma maneira correta e assim por diante”, explica a jornalista. “Estamos só no começo desse tipo de jornalismo e espero que mais pessoas façam esse tipo de matéria, investiguem, conheçam e vão atrás das informações com mais conteúdo”, completa Alê.

Mas como podemos falar de moda sem falar de grandes marcas? Como falar de moda local, de produção menos industrial? Segundo Alexandra, não só os consumidores, mas toda a imprensa estão extremamente deslumbrados com a chegada de grandes marcas internacionais ao Brasil. Por outro lado, abre-se ainda mais a possibilidade de olhar o que é feito no nosso país e valorizar os criadores locais “todas as viagens que eu faço são muito interessantes e cheias de conteúdo porque quero saber como o Brasil de verdade está se virando na moda e não só o Jardim Europa” (bairro nobre de SP), completa ela.

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A importância de enxergar o que acontece nas ruas, nas viagens, nas cidades do interior desse “Brasil de verdade” vai além. Para Alexandra, as tendências, como nós conhecemos, não existem mais. “Hoje em dia não existe mais tendência. Hoje ninguém assiste um desfile para ver qual é a tendência. Você assiste para entender a opinião daquele estilista sobre um momento da moda e enxergar o trabalho daquele estilista em si”.

Refletir sobre o que é colocado nas passarelas, como um desfile é concebido, até o jeito que enxergamos o show. Tudo isso tem que ser pensado: “Não dá mais para fazer um desfile de verão só com roupas de calor”, critica Alê. Os diferentes ambientes em que vivemos, as viagens que fazemos, a globalização das tendências são efeitos que generalizam as coleções. O que está nas vitrines aqui do RS também está nas da Bahia, e nas de Buenos Aires e NYC. A jornalista completa: “É uma das imposições da natureza. A moda só reflete o que a gente vive e aquilo que temos ao nosso redor”.

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Os nossos comportamento, atitude e escolhas refletem na sociedade que aos poucos vai se adaptando e trazendo alternativas para substituir padrões tradicionais de criação de moda. É assim que a gente entende o que é moda brasileira de verdade.  “A moda é uma representação do nosso dia a dia”, garante Alê Farah.