1° Mercado Vintage apresentará feira de brechós de moda de época como alternativa de consumo consciente

Como manifestação global, não é novidade no resto do mundo que o “Fast Fashion” é um modelo insustentável. Nas palavras de Dilys Williams, diretora do Centre for Sustainable Fashion na London College of Fashion, a moda deveria ser um exercício de criar identidades e se relacionar com as roupas, mas hoje é “baseado em uma constante adrenalina e excitação de compra. Não existe antecipação, sonho. Nada dura e nada é procurado. Cada um de nós tem um mini-aterro nos nossos closets”.

Para fugir dessa realidade e, de quebra, ter um closet mais exclusivo e sustentável as amigas empreendedoras Aline Ebert e Jade Primavera, das marcas ModaDeBrecho.com e Frenesi Brechó tiveram a ideia de montar uma feira para os amantes do garimpo de época, o Mercado Vintage.

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Na foto, Jade Primavera (Frenesi Brechó) e Aline Ebert (modadebrecho.com), com cenário vintage e o pôr-do-sol de Porto Alegre ao fundo em clique de Gil Tuchamba.

Para transformar o projeto em realidade, foi feita a parceria com a Arteloja da Casa de Cultura Mário Quintana que receberá 17 projetos focados em vintage, roupas, bolsas, calçados, chapéus, acessórios, objetos e também sebo de discos.

O número surpreende e faz parte de índices relevantes sobre o crescimento de brechós e lojas de peças usadas em todo o território brasileiro. Dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostram que os pequenos negócios que comercializam artigos usados cresceram 210%  em cinco anos. Segundo a pesquisa, os consumidores estão mais conscientes e também tem menos preconceitos com peças usadas.

A procura por peças garimpadas é realidade das idealizadoras do evento: “Estamos felizes por criar um evento que valoriza a moda vintage que nós amamos. Notamos que, desde o início da divulgação, o evento recebeu grande adesão e incentivo de outros adoradores que buscavam um evento diferenciado para encontrar só o antigo selecionado”, contam.

 

Na contramão das fast fashion
A cultura da velocidade teve início durante a Revolução Industrial, mas foi na era tecnológica que atingiu o ápice. A democracia e a globalização disponibilizadas pela democrática internet impulsionaram, junto com a urbanização, essa velocidade de consumo absurda com a qual convivemos hoje.

Para entender esse ritmo e se adaptar a esse mundo, o escocês (que morou no Ceará e em Fortaleza) Carl Honoré escreveu o livro Devagar – Como Um Movimento Mundial Está Desafiando o Culto da Velocidade (Record, 2002) que traça a história da relação da pressa com o tempo e, naturalmente, traça as consequências de viver dentro dessa panela de pressão que é a nossa sociedade.

Enquanto Honoré falava em um contexto geral, Kate Fletcher trouxe no seu Moda e Sustentabilidade – Design Para Mudança (Senac, 2012) a reflexão sobre a mudança na própria indústria da moda. Na gastronomia, o pioneiro Carlo Petrini cunhou o termo “slow-food” em 1980. A manifestação foi um protesto contra a abertura de um restaurante de uma rede de fast-food na Piazza di Spagnem Roma que também virou livro (Slow Food, os Princípios da Nova Gastronomia).

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Mas não importa: assim como na moda e em qualquer disciplina, o objetivo do viver-slow é promover a maior apreciação e a qualidade dos produtos – sejam eles alimentares ou do vestuário. E por qualidade é importante ressaltar tradições regionais, informações a respeito da procedência, método de preparo, impacto das suas escolhas, sustentabilidade total.

A verdade é que refletir dói. Mas a verdade também faz com que mais pessoas pensem mais sobre o que vestem e como fazem suas escolhas. E para fazer novas compras não basta fazer a doação daquelas que você não quer mais. A aceleração no fluxo de compras faz com que, além de consumir mais, mais peças de acabamento e tecido duvidoso sejam descartadas para que a compra indeterminada seja feita sem culpa. E para que o aterro de roupas não pare de crescer e soe, pasmem, normal.

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O evento:
16 de agosto de 2014, das 13h às 20h
Térreo da Casa de Cultura Mário Quintana
Entrada gratuita
mercadovintagepoa@gmail.com
O preços dos produtos varia entre R$ 10 e R$ 60
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