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A Copa do Mundo está sacudindo a economia do país e isso inclui a moda: do esmalte a lentes de contato com a bandeira, a gente vê as cores e os uniformes das seleções invadirem as salas de estar, os estádios e as ruas.

No Brasil, a onda tropical e o verde-amarelo-e-azul são o que há de mais “in”. As editoras de moda têm dado essa manchete há meses, mas isso está explícito ao nosso redor, na vontade que temos de expor uma camiseta de orgulho, um chapéu de fé ou uma bandeira de entusiasmo. Quem sente isso, sabe do que eu estou falando.

As cidades sede receberam (e ainda têm recebido) turistas torcedores vestidos a rigor. Eles esbanjam criatividade nos looks e na maquiagem em cada jogo, como dá para observar, por exemplo, na pesquisa da Postal Inc, Etnografando o Brasil. Mas há bem mais que cores vibrantes e modelos exóticos à beira dos estádios de futebol. O que vemos é uma vibração, uma energia e uma atmosfera alegres, compartilhadas por brasileiros, estrangeiros, jornalistas, fãs. Algo que ultrapassa fronteiras, transformando o nacionalismo num acessório.

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Mesmo quem não possui ingressos vai até a frente das competições, quer participar da festa da Copa, espécie de piquenique urbano. Uma fraternidade entre adversários que posam juntos para retratos, como aconteceu com o algeriano que se abraçou no meu sobrinho, Pedro, em frente ao Beira-Rio e pediu para tirar uma foto (foi no dia 30 de junho, no jogo Alemanha X Algéria).

Essa dinâmica própria do futebol – o “tailgating” –, transcende a rivalidade entre os times e é justificada pela paixão das pessoas ali reunidas. Ou paixões. O ideal comunitário que as une é sobretudo irracional e transitório, porque traduz uma sensibilidade coletiva que valoriza o “aqui e agora”, o carpe diem e as imagens, como explicaria o sociólogo Michel Maffesoli.

No mundo da moda isso também acontece. Um burburinho animado de pessoas se reúne há anos nas portas de desfiles das fashion weeks e extrapola o discurso visual. A cada temporada, a concentração de curiosos, fãs e amadores aspirantes a blogueiros de moda de sucesso transformou essa vitalidade em notícia e seus participantes em um novo perfil de celebridades.

O entorno dos eventos ficou saturado de jornalistas e curiosos e o “fashion tailgating” transformou esses espaços em uma espécie de palco dos entusiastas da moda, no qual os participantes executam uma mis-en-scène. Sim, vale tudo na busca de chamar a atenção das lentes dos fotógrafos.

Nos jogos, as pessoas vão para torcer e também para aparecer (de preferência na TV – querem ser vistas, dar entrevistas), tendência que se acentuou por causa da Copa. Mas o que se destaca nesse movimento não é a celebrização dos públicos, que já parece banalizada em contextos comunicacionais, mas a aproximação de campos ainda tidos como distantes por gênero (“Futebol é coisa de homem”; “Moda é coisa de Mulher”).

Mais que isso, a percepção do futebol também enquanto fenômeno de moda e da moda enquanto fenômeno esportivo. Até o dia 13 de julho, a moda do futebol orientará a proliferação de micro-histórias pelo país numa “ambiance” fast-fashion. Apaixonada e exuberante. Mas que vai se transformar em um passe.

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