Conheça um pouco da trajetória da nova colunista, Vitória Cuervo que trabalha com Moda Inclusiva.

Fiquei muito feliz com o convite da Gabi para fazer parte desse lindo projeto. É muito bom quando alguém acredita naquilo que a gente faz. Aqui, vou poder contar pra todo mundo sobre coisas de que gosto, seja um pouco de tudo ou muito de moda. Para este primeiro contato, nada mais justo do que falar sobre um assunto que hoje faz parte da minha vida e que talvez muita gente nunca ouviu falar.

Em 2008, ainda em busca de um tema para meu trabalho de conclusão de curso, um guri passou por mim numa cadeira de rodas e desde aquele dia comecei a pensar na questão do vestuário para esse público, me fazendo mil perguntas sem respostas. Bingo! Já sabia o assunto do meu TCC.

Conversei com diversas mulheres cadeirantes e cheguei a conclusão de que todas se interessavam por moda, porém todas tinham dificuldade para encontrar roupas adequadas às suas necessidades. Elas compravam roupas um ou dois números maiores e mandavam na costureira para fazer ajustes. Só que, muitas vezes, isso fazia com que a roupa perdesse o caimento, ficando deselegante.

As pessoas ainda ficam surpresas quando falo que trabalho com moda inclusiva. A maioria não sabe que o vestuário para esse público deveria ser diferenciado, até porque estamos falando de pessoas que ficam a maior parte do tempo sentadas, quando não estão deitadas.

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Eu e uma das mulheres que entrevistei para o trabalho de conclusão
 

Elas devem ter conforto, praticidade e funcionalidade. Devem ter soluções que facilitem o vestir e o despir, como aberturas estratégicas, modelagens e cortes especiais, tecidos e aviamentos adequados. E, como qualquer consumidor, também pensam sempre na estética, claro: querem roupas com conceito, bonitas, modernas, como as que usamos, desejamos, porém com algumas adaptações que fazem toda a diferença para quem for usar.

Foi durante o Donna Fashion Iguatemi em 2010 que uma cadeirante desfilou pela primeira vez pra mim. Fiz uma roupa adaptada para a jornalista Juliana Carvalho e ela desfilou junto com outras modelos. Foi uma experiência incrível pra ela, pra mim e pra todos que estavam presentes.

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Desfile da Coleção Caleidoscópio durante o Donna Fashion Iguatemi
 

No ano seguinte, a Ju (que acabou virando amiga e “cobaia” dos meus modelitos) me convidou para fazer um desfile no encerramento da I Semana da Valorização da Pessoa com Deficiência do RS na Assembléia Legislativa do RS, em Porto Alegre. Foi quando criei uma coleção para mulheres com e sem deficiências.

Ganhei o apoio de empresas legais, como Melissa, Panvel, Casa Rima, Malhas Elizabeth e contei com a participação da jornalista Alice Bastos Neves, da modelo e apresentadora Milene Zardo e da Miss Deficiente Visual Gisele Hübe. Foi lindo e gratificante.

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Desfile Coleção Redenção durante o encerramento da I Semana da Valorização da Pessoa com Deficiência do RS
 

Neste mesmo ano, participei do 3°Concurso Moda Inclusiva, realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Governo de São Paulo e tirei o segundo lugar. O evento aconteceu no Museu da Casa Brasileira em SP. Este concurso já está na 6°edição internacional.

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Durante o concurso Moda Inclusiva em SP.

Na ultima coleção que lancei , ao invés de adaptar algumas peças, fiz pensando no cadeirante, porém para todo mundo. Com moedagens amplas, cortes diferenciados, elástico na cintura e muito conforto, sempre acreditando na democracia da moda, pois todo mundo tem o direito de escolher o que usar em cada ocasião, optando por aquilo que combina com sua personalidade e poder se comunicar através do que vestimos. Isso e importante para a auto estima, alem de garantir uma boa imagem nos ambientes social e profissional.
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Coleção “Qual e o pente que te penteia?” , criada pensando no cadeirante.

O Brasil tem 5,6 milhões de pessoas com alguma deficiência, isso significa cerca de 24% da população. Embora seja muito pequeno o movimento para incluir o vestuário adaptado na indústria da moda brasileira, ele já existe e aos poucos vai adquirindo mais espaço.

Nessa minha ainda curta tragetória, conheci muita gente, fiz várias amigas. São mulheres maravilhosas, inteligentes, cheias de vida, batalhadoras, trabalhadoras e lindas.
Elas são minha inspiração! São elas que fazem eu me aventurar e inventar novas alternativas, invenções e soluções na “engenharia” da moda, para que num futuro próximo, tenhamos um mundo com mais mulheres belas, bem vestidas e felizes desfilando pelas rampas da cidade.

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