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Foi só entrar ontem no Teatro do CIEE um minuto atrasada para saber que o evento Zoom – Moda Como Negócio iria acrescentar. O porte do evento veio de acordo com a proposta da CDL Porto Alegre para aproximar de pessoas do nosso mercado alguns cases únicos nacionalmente reconhecidos. Nomes importantes fizeram – cada um do seu jeito particular – a sua abordagem sobre o tema. Agora, a gente traz um pouquinho da experiência para que não pode estar lá e tenta transmitir um pouco da inspiração e das dicas que recebemos desses profissionais.

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Para falar de maximização dos resultados de moda é importante falar de riscos. E sobre essa seara Luiz Antônio Secco, da Azov Sul, que tem mais de 37 anos de experiência no mercado, pode encher a boca para falar. Apesar da simpatia, ele não poderia ser mais duro – e realista – com os entrantes da nova geração de marcas. Secco ensina ~brincando~ que “o varejo de moda é muito difícil porque é muito fácil de entrar. Não tem barreira de entrada, apenas de saída”. Não é a toa que 80% das empresas de moda que entram no mercado quebram em apenas 3 anos.

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Não são poucas as dicas do sócio consultor da AZOV para que uma marca dê certo no mercado. Por isso, no final dessa matéria vocês encontram um link para baixar gratuitamente o conteúdo não só dele, mas de todas as palestras que rolaram ontem. Poder guardar dicas preciosas é melhor do que entendê-las.

Um dos pontos mais reforçados por Secco para profissionalizar empresas que hoje são artesanais é um planejamento mínimo. Porque, é óbvio, sem planejamento não existe produto qualificado e nem sucesso de vendas. Mesmo que haja conceito, presença em diferentes canais (de venda) e execução impecável. “Venda é o nome do negócio na moda. Se você não vender você não tem o resto”, completa ele.

Aliás, uma das meta-discussões mais recorrentes na manhã de ontem foram sobre a importância do produto versus a importância do branding e do marketing bem feitos. Enquanto Secco defende o produto com garras e dentes, o segundo palestrante da manhã, Andreas Mentz trouxe outra visão. O sócio criador da Spirito Santo não discorda da importância da qualidade do produto, mas traz um olhar de quem cria para um cliente específico. “O foco para nós não é só o produto, mas o que esse produto vai gerar na vida daquela pessoa que está comprando”, conta ele pensando nos clientes e as situações que os levaram até as lojas da rede.

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Depois de apresentar a história da Spirito Santo – história essa, que contada com a verdade dos sócios irmãos também ajudou a marca a crescer – Mentz reafirmou sua paixão pelo que faz. Garante que varejo é igual a entusiasmo e que “vender, sem entusiasmo é impossível”.

Para completar o time dos apaixonados e dos cases apaixonantes, André Carvalhal, gerente de marketing da Farm contou a história da marca e todas as transformações que ocorreram ao longo dos 15 anos de empresa para que a marca chegasse ao patamar em que está hoje. Com a certeza de quem está por trás de uma marca de tanto sucesso, Carvalhal enche a boca e afirma que “a marca era muito mais do que produto e que produto, no final, não é o mais importante. Tudo que se constrói em torno da marca é o que dá valor ao produto”.

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O desafio para construção dessa identidade por trás do produto é que é também o misterioso trabalho de branding. “Entender quem são essas meninas (público alvo) é a nossa grande obsessão” revela Carvalhal. Ele ressalta o quão importante é a marca se transformar e acompanhar essa carioca autêntica, que é quem dá o tom para o lifestyle da Farm.

O gerente de marketing ainda lembra que “as pessoas estão apenas ligadas em uma única tendência, então cada vez mais precisamos olhar para dentro e tangibilizar isso (as tendências) em produtos que tenham a cara da marca”. Ou seja, a roupa e a “tendência” podem até mudar. Mas o que as consumidoras realmente querem é um “passaporte”, nas palavras de Carvalhal, para o mundo em que essa menina vive. E não só para o closet dela.

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Quando as marcas criam tanto o produto impecável, como a comunicação dos sonhos, elas também desenvolvem a forma com que farão o diálogo com o seu público. É aí que entra a palestra da Melissa Lesnosvski, da Aldeia, e também o trabalho dela.

Como analista de mídias sociais de diferentes marcas de moda, ela alerta: “na comunicação online, sair do universo da marca é ter senso de oportunidade”. Isso significa pensar fora da caixa e comunicar muito além de semanas de moda e look de famosos. Isso é gerar conteúdo relevante. Da palestra dela, além de todas as dicas que vocês podem pegar no PDF disponível no final da matéria, fica mais uma dica importante: comunicar nas redes sociais não é MONÓLOGO. É diálogo.

Da mesma forma que Secco, da Azov Sul, o penúltimo palestrante do evento, Tiago Mello, Diretor de Operações  da M.Officer e da Carlos Miele, ressaltou a importância de gerir o presente, esquecer seletivamente o passado para criar o futuro. Enquanto para alguns pode parecer loucura, para ele é apenas a resolução de outra máxima que diz que “loucura é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar um resultado diferente”.

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Por isso, ele traz uma outra visão sobre o dilema levantado por todos os palestrantes anteriormente, completando todas as falas anteriores e lembrando que “o produto por si só não garante sucesso, mas a falta dele garante o fracasso”. Durante todo o tempo, além dessa preocupação ele também ressalta o quão definitiva é a participação da equipe, do time, dos colaboradores de uma marca.

O trabalho do vendedor, vira o trabalho de um atendente que hoje já funciona mais como um consultor de vendas. E assim, passa a ter influência social sobre os clientes. Para Tiago, a marca deve “entender quem é a influência social do nosso negócio já que cada um tem um consumo diferente. Então precisamos enxergar cada um (colaborador, cliente e praça) como uma unidade única.

Para encerrar o dia, um dos cases mais comentados da manhã foi o da Topshop, marca gigantesca que chegou no Brasil e conquistou seu mercado – já com 03 lojas em São Paulo, 01 em Ribeirão Preto e com projeção de crescimento de 04 lojas por ano a partir de 2014. Para falar do ~case de sucesso~ Daniela Valadão, brand manager da marca aqui no país, trouxe um pouco da história da Topshop no mundo e do sistema que eles desenvolveram para alimentar todas as lojas de forma atualizada, inédita e MUITO RÁPIDA.

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Segundo a própria Daniela, eles viram que “é possível produzir mais rápido, de forma mais inteligente para entregar aos clientes o que eles estão procurando naquele momento”. E como hoje não só a moda é globalizada, mas o desejo também, a marca enxergou que “trabalhar com tendências do hemisfério norte em real time é possível, mas deve ser estudando com calma”, como a própria brand manager coloca.

“Foi uma manhã intensa de reflexões e debates sobre todo o ciclo produtivo da moda, fundamental para quem atua ou quer atuar no setor”, finalizou o presidente da CDL Porto Alegre, Gustavo Schifino.

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A inspiração que fica não é no design da Topshop, da Spirito Santo, Farm ou whatever, nem na comunicação – que é totalmente alinhada às fast fashionS ao redor do mundo. A inspiração para nós, gaúchos em um mapa da moda mundial e gigantesco, é nas diferentes possibilidades, desejos, clientes e oportunidades que existem. E é entender que só temos que abrir os olhos para os cases mais – e menos óbvios – para nos inspirarmos mais e mais no nosso trabalho!

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