De uma loja montada no porão, a uma das lojas mais rentáveis do mercado, Sophia Amoruso transformou o Nasty Gal em um case de sucesso mesmo com a pouca experiência e quase nenhum conhecimento no mercado financeiro. Conheça a história, e as lições, da empresa que mais cresce no mercado online de varejo nos EUA.

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Sophia Amoruso. (Divulgação)

Grande parte de quem trabalha com (gosta, ou compra em) e-commerce e moda conhece ou já visitou pelo menos 1 vez a loja online Nasty Gal. O e-commerce é referência para 7 entre 10 designers que trabalham com web e as peças são desejo de quem faz o estilo retrô com pegada ultra sexy. Vendendo desde casacos Chanel vintage até calças legging e tops curtíssimos com preços acessíveis, o Nasty Gal se tornou um dos e-commerces mais bem sucedidos no mercado da moda. De 2008 a 2011 as vendas dispararam e o Nasty Gal se tornou uma das empresas de mais rápido crescimento no varejo.

Em 2012, a empresa registrou um faturamento de mais de US $ 100 milhões, hoje tem cerca de 500 funcionários e alugou um centro de atendimento de quase 50 mil metros quadrados em Los Angeles.

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A fundadora, Sophia Amoruso tem apenas 29 anos, e começou com uma simples loja no Ebay que revendia peças vintage, tudo do porão da casa de sua tia em 2006.

“No começo , eu basicamente pagava as modelos com hambúrgueres “, diz ela. “Elas eram colegiais normais que você encontra no Myspace. Eu pagava o almoço e talvez conseguisse dar U$ 20 por dia.” Usar modelos de visual mais “comum” é uma tradição que vem se mantendo até hoje, “Nós somos cool, mas somos inclusivos o que eu acho que não é comum na moda”, afirma a empresária.

A ASCENSÃO 

Em 2010 embora muitas empresas tenham sofrido com a crise o Nasty Gal passou reto por ela. “ Eu construí um grande negócio rentável sem dívidas”, diz ela. “Eu coloquei cada gota de lucro com este negócio de volta para ele. É por isso que ele é bem-sucedido.”

Quando Sophia em 2012 precisou expandir seu negócios, a empresa conseguiu 50 milhões de Danny Rimmer (Index Ventures) – um investidor com um histórico de negócios bem sucedidos como Asos, Net-a-porter e Farfetch. “Ninguém estava investindo em Net-A-Porter, ninguém estava investindo em Asos [quando Rimer se aproximou deles]. A Index Ventures tem um pensamento contrário as outras. Como eu sou.”

Dois momentos na nova sede: o espaço para café e na direita a foto dos funcionários

Dois momentos na nova sede: o espaço para café e na direita a foto dos funcionários

CASE DE SUCESSO NAS REDES SOCIAIS

Sophia Amoruso acredita que parte do sucesso que o seu negócio conquistou deve-se a a relação que tem com os clientes. “Nasty Gal realmente surgiu de uma conversação”, diz Amoruso. “Nós provavelmente gastamos mais tempo do que qualquer outra marca lendo cada comentário deixado. Poder ouvir as pessoas da maneira que podemos online é muito poderoso. Acho que outras empresas estão apenas começando a descobrir isso.” Desde 2011, o número de fãs no Facebook aumentou dez vezes, para cerca de 1 milhão e a empresa tem ainda mais seguidores do Instagram.

Rimer concorda: “O que nos levou ao Nasty Gal foi o fato de que Sophia tinha criado algo muito especial em termos de uma ligação entre o que ela estava fazendo e sua base de clientes. “

Mas o componente de mídia social não seria nada se as próprias roupas não vendessem. “Esta é a personificação dos fenômenos hi-lo mulheres usando um vestido Chanel com a T-shirt Banana Republic por baixo em uma maneira que eu nunca tinha visto antes”, diz Mortimer Cantor, CEO da Marvin Traub Associates, que trabalha em desenvolvimento de negócios para marcas de moda.”

LINHA PRÓPRIA

Como na grande maioria de histórias de negócios bem sucedidos – o Nasty Gal continua criando novas oportunidades. Hoje a loja já está em sua terceira coleção própria. “Criar nossa própria linha foi o próximo passo natural para nós. Em sete anos eu tenho vendido roupas para a mesma garota incrível e entendemos o tipo de silhueta e corte que ela gosta ao longo do tempo “, conclui Amoruso. Atualmente, a label Nasty Gal corresponde a 30% das vendas.

Dois looks na última coleção da label Nasty Gal

Dois looks na última coleção da label Nasty Gal

 #GIRLBOSS: NAS LIVRARIAS

Toda a história de sucesso da empresa, foi lançada em um livro que Sophia descreve como o “mercado de negócios por uma visão de alguém de fora”. O #GIRLBOSS já está em pré-venda na Amazon. Se esse alguém de fora, é a empresária mais bem sucedida do e-commerce, o sucesso do livro já está garantido né?

O livro abrange além das cenas de histórias de ascensão meteórica de Nasty Gal, uma série de dicas “pé no chão”. “Isso prova que ser bem sucedido não é sobre o quão popular você era na escola ou onde você foi fazer faculdade (se você foi para a faculdade). Em vez disso o sucesso é sobre confiar em seus instintos e seguindo seu instinto, sabendo quais regras a seguir, e quais devem ser quebradas”

O livro que está a venda na Amazon.

O livro que está a venda na Amazon.

Aprenda com algumas dicas de uma das mais bem sucedidas empresárias do e-commerce.

dica_1

Eu não contrato pessoas que não estão dispostos a fazer o trabalho pesado.

dica_2

“Eu pesquisei no google o que era capital de risco entre outras coisas. Se você não tem condições de participar de workshops, cursos e palestras, há muita informação online que você pode tirar proveito.”

dica_3

“Aprenda com os erros alheios mas aprenda com os seus também. As pessoas me diziam que eu nunca iria sair do nosso espaço de armazém, e bem, hoje…você já sabe.”

dica_4

“Nos primeiros meses após ter lançado o Nasty Gal – eu estava ganhando mais do que em empregos de baixa qualidade no varejo. Eu estava me divertindo mas também havia muitos problemas para resolver. Eu segui minha intuição, mas ninguém pode liderar uma organização com 300 (hoje já são 500) funcionários e não ter um plano de negócios. Meu trabalho agora é institucionalizar a magia.”

dica_5

“Comecei o negócio para que eu pudesse ficar sozinha, atrás de um computador. Mas eu tenho 500 pessoas que aparecem para o trabalho todas as manhãs. Essa é a maneira é mais intensa do que lidar com um cliente por 30 minutos. Nasty Gal me ensinou sobre partilha e colaboração – e ás vezes de uma forma difícil. Acho que a melhor parte é também a mais confusa: eu não posso sair e não posso ser demitida. ”

Para ler mais: o livro para comprar na Amazon.

Com infos daqui, aqui e aqui. Fotos: Instagram e site.