Cerca de 30% das peças são feitas com materiais ecologicamente corretos.
Sustentabilidade faz parte da filosofia da empresa, dizem sócios

Uma viagem de mochilão pela Tailândia serviu de motivação para dois amigos de Porto Alegre lançarem uma marca de roupas inspirada na cultura oriental e com um conceito sustentável que vem conquistando mercados competitivos de moda como os de São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 2003, Cláudio Stein e Marcelo Machado resolveram colocar uma mochila nas costas e desbravar o continente asiático e toda a beleza paradisíaca das praias da Tailândia. Na bagagem, além da experiência de vida, a dupla trouxe consigo alguns pares de calças tailandesas que serviram de modelo para confeccionar as suas calças.
Se juntaram com mais dois sócios, fizeram mais calças e foram para a Bahia vender as roupas no melhor estilo “hippie” de ser. E o que parecia uma simples aventura de adolescente se transformou na Budha Khe Rhi, uma marca de roupas que esta prestes a completar uma década no mercado.

Ana Paula Lago Maines, Claudio Stein, Guilherme Dias e Marcelo Schmidt Machado são as caras por trás da marca Budha Khe Rhi (Foto: Cláudio Stein/Divulgação)

Ana Paula Lago Maines, Claudio Stein, Guilherme
Dias e Marcelo Schmidt Machado são as caras por
trás da marca Budha Khe Rhi
(Foto: Cláudio Stein/Divulgação)

“Trouxemos as calças e, em 2004, resolvemos produzir algumas e ir para o Morro do São Paulo, na Bahia. Levamos umas 300 calças para vender lá, o que daria para nos sustentar por alguns meses na praia. Vendíamos as calças e vivíamos como se fossemos hippies”, relembra Machado, 30 anos.
Com a experiência na Bahia, os quatro sócios resolveram criar o conceito da marca e voltar para Porto Alegre na tentativa de levar o empreendimento a sério. Os primeiros produtos foram camisetas com estampas que carregavam uma estética urbana misturada com uma nuance mais praiera.
“A Budha Khe Rhi é mais do que uma marca: é um estado de espírito. Nosso pilares conceito são a música, filmes e viagens. Tudo aquilo que nos remete a um lifestyle tranquilo e despojado”, acrescenta Machado.
A empresa conta com 10 lojas próprias e está presente em mais 120 lojas multimarcas que revendem seus produtos no país. O objetivo agora é abrir franquias da marca. Somente nos últimos três meses eles abriram quatro lojas franqueadas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e em São Paulo. Para 2014 a intenção é abrir mais 10 franquias e chegar a 100 lojas em cinco anos.

Ecologicamente correta, mas sem ser chata
Um dos diferenciais da marca é a questão da responsabilidade ambiental que ela carrega. Cerca de 30% da produção é feita com matéria-prima de procedência ecológica como linho, algodão reciclado, algodão orgânico, fibras de cânhamo e malhas feitas de garrafas pet.
“Isso não é uma jogada de marketing. É algo que é intrínseco da Budha. Começamos a fazer as peças ecológicas em 2007, e a marca sempre carregou a ideia de fazer o bem. Sempre apostamos em projetos positivos”, explica Machado.

Projeto Portas Abertas gera novas oportunidades de renda para grupos de costureiras do Morro da Tuca e do Morro da Cruz, em Porto Alegre (Foto: Reprodução/Budha Khe Rhi)

Projeto Portas Abertas gera novas oportunidades
de renda para grupos de costureiras do Morro da
Tuca e do Morro da Cruz, em Porto Alegre
(Foto: Reprodução/Budha Khe Rhi)

O último projeto sustentável da empresa é o “Portas Abertas”. A ação consiste em gerar novas oportunidades para um grupo de costureiras do Morro da Cruz e do Morro da Tuca, em Porto Alegre. A marca uniu-se às Mulheres Solidárias do Morro da Tuca e a Associação do Morro da Cruz para desenvolver dois produtos: ecobags feitas de camisetas e embalagens feitas de pet.
As camisetas que não passam no controle de qualidade são transformadas em sacolas ecológicas por um grupo de costureiras das duas comunidades. Foram produzidas 53 ecobags que farão parte, em um primeiro momento, de um projeto piloto. No futuro, o trabalho com as Mulheres Solidárias do Morro da Tuca fará parte de um projeto maior no ponto de venda.
Além das sacolas feitas de camisetas, as costureiras também confeccionam embalagens sustentáveis que são feitas com garrafas pet. Cada garrafa serve de recipiente para uma camiseta da loja e possui diversos usos, como porta canetas ou porta objetos.
“Não estamos fazendo caridade. Fizemos um negócio com elas. Nós compramos as ecobags delas, o que gera uma renda extra. Tentamos colocar a ideia do sustentável sempre que podemos. Não somos eco chatos, mas temos nosso papel. E este é um dos objetivos da empresa: ser consciente”, conclui Machado.

Daniel Bittencourt para o G1