Indústrias de confecção do estado concorrem com fabricantes do CO e NE. Personalização para atender o gosto das consumidoras locais é aposta.

O verão é época mais importante do ano para as fábricas de maiôs, biquínis e de moda praia. Sobreviver no competitivo mercado têxtil brasileiro, no entanto, exige algum diferencial. É isso que buscam as indústrias instaladas na região do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul.

Quem vê a variedade de modelos e cores de biquínis espalhados por praias e piscinas do estado não imagina todo o processo feito até que essas peças cheguem aos corpos das consumidoras. Feita após uma intensa pesquisa das últimas tendências da moda, a produção começa bem antes da estação mais quente do ano iniciar e entra verão adentro.
Nas fábricas do Alto Uruguai, as máquinas praticamente não param. Tem sido assim desde março, quando a coleção de biquínis e maiôs para o verão 2013/2014 começou a ser confeccionada. Cerca de 80% das peças ficaram prontas ainda no inverno, mas com o aumento das temperaturas e da procura pelos modelos, o ritmo na costura segue intenso.

Em uma das fábricas de Getúlio Vargas, por exemplo, são feitas 2 mil peças por dia. A cada verão, 70 novos modelos são lançados. O estoque atende os mercados gaúcho e catarinense, mas também chega aos estados da Bahia e Minas Gerais. “Tem que fazer bem feitinho”, diz a costureira Sirlei Kaczanoski.

De acordo com a Associação Nacional da Indústria Têxtil, o Brasil é o país que mais consome moda praia no mundo. Os principais fabricantes estão nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. Um desafio para quem trabalha com esse mercado no Rio Grande do Sul é identificar o perfil das consumidoras locais, considerado diferenciado.

“Tentamos personalizar o modelo, ter um modelo que tenha um maior caimento para a mulher gaúcha. Nossa modelagem é feita para a mulher gaúcha, o que, acredito, além da qualidade, faz nosso diferencial”, diz o proprietário da fábrica, Cesar Augusto Cazzonato.

“A gente vai aprimorando eles, faz testes. Faz um, não dá certo? Faz outro, até chegar em um nível que você coloque na manequim e ela (a peça) fica perfeita”, acrescenta a criadora das peças, Adelaide Cazzonato.

A personalização é um dos caminhos para lidar com a concorrência dos fabricantes de fora. Os principais fornecedores de matéria-prima para a confecção de biquínis estão no centro do país. Para manter um preço competitivo, o setor na Região Sul chegou a absorver um aumento de 17% no custo de produção.

Para quem compra, no entanto, a dificuldade é apenas uma: escolher, entre tanta variedade de modelos disponíveis, para todos os gostos e tipos de corpo. “Olha, para mim, tem que ter um caimento bom, que fique bem, que a gente se sinta bem”, atesta a agricultora Daiane Pegoraro.

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