Conheça Daniela Hinerasky, nova colunista do Fashion RS, que se apresenta com reflexão sobre a velocidade na renovação dos ciclos da moda

Uma das melhores coisas da vida são os ciclos. E eles são também uma das coisas mais divertidas (e óbvias) da moda. Ela vive quebrando paradigmas, porque em termos de vestuário nada é definitivo. Tudo depende de onde, quem e como.

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Surgem dezenas de modelos a cada semana nas lojas mas é raro serem criados tendências ou estilos verdadeiramente novos. Eles são apenas reciclados, no que se convencionou chamar de “releitura”. Por isso a moda é hoje um fenômeno de suplementação, não só de substituição. Tem mais a ver com revivalismo de matérias-primas e proporções de tempos anteriores, em diferentes variantes, do que com aniquilação do que passou.

E é essa velocidade na renovação das coisas voltarem a ser moda novamente, que explica uma contemporaneidade geral de todos os estilos.

Mas em alguns lugares, existem técnicas de bordados e peças clássicas, que são autorizados sempre. Estive no México nas férias, e aquele artesanato e os bordados coloridos de vestidos e batas, não têm prazo de validade (é como a tropicalidade brasileira).

Daí somos nós quem mesclamos peças originais e atemporais de algumas regiões, com as tendências das coleções recentes.

Essas questões evidenciam que a moda é por essência, contraditória. É homogeneizante, é diferenciadora, é criativa, é um padrão (porque também um exército de cópias e copiadoras/es), é excludente, e é democrática.

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Democrática por causa da imprensa, jornalistas, fotógrafas e blogueiras.

Quando eu recebi o convite da Débora e da Gabi para ser uma das colunistas do primeiro portal de moda do Rio Grande do Sul, pensei: “Que maravilha, outro espaço para falar das nuances de um campo tão importante quanto controverso”.

As gurias do Portal RS iniciam um momento importante para o jornalismo de moda no Estado e, junto com pioneiros, como Célia Ribeiro, Xico Gonçalves, Patrícia Parenza e Patrícia Pontalti, Rui Spohr, Paola Deodoro (ex-editora de moda de ZH), Mauren Motta, Fernanda Zaffari e as repórteres e as blogueiras, fazem parte da turma “de frente” da moda gaúcha.

Há muito mais que isso, porque temos tradição na indústria de malha, de couro-e-calçados, e estilistas reconhecidas. Temos profissionais independentes. E escolas e cursos de moda em ebulição. E tem espaço para gente competente trabalhar.

Eu flerto com a moda há algum tempo. Comecei fazendo um curso de extensão chamado: “Moda, Mercado e Comunicação”. Mas foi através de leituras e de exercícios que comecei a trabalhar com a cultura de moda em algumas pesquisas (ver aqui). Acho que é por isso que estou aqui. Também, porque me dei conta que dá muito “pano pra manga” esse métier todo.

Gostaria de dividir angústias e ideias com vocês por algumas temporadas. Reciclar alguns assuntos e iniciar um novo ciclo. Nem tão curto.

Beijos e até breve!

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