Colunista do Fashion RS, Carolina Souza, propõe reflexão sobre consumo, cadeia produtiva da moda e, especialmente, sobre as necessidades-fashion que (re)criamos a cada temporada

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Estamos em janeiro, mês das liquidações imperdíveis. Nessa época, eu me sinto muito enganada por todos, especialmente por mim mesma. Cena: aquele vestido que tu amaste e te endividaste a vida pra conseguir comprar aparece com 80% de desconto. E sempre tem a amiga que compra e vem te mostrar a barbadinha que conseguiu.

Eu me policio o ano inteiro, tentando não pagar absurdos por peças que sei que estarão em promoção, nem comprando em lojas que sei que fazem essa sacanagem com o cliente de baixar horrores os preços das peças em época de liquidação.

Existe o lado Pollyanna de ver a situação: “Ah, eu paguei caro mas estou usando há tempos”. Esse não é um argumento que me convence: ele não deixa de estar certo, mas não consigo parar de pensar no golpe que o lojista está me dando. Se ele consegue vender a peça com 60% de desconto e ainda ter lucro, imagina o quanto ele ganhou vendendo ao preço original?

Não sou contra pagar caro por uma roupa. Acho que temos sim que gastar se queremos algo de qualidade, com design e pesquisa, enfim, mas sou uma crítica do consumo desenfreado que temos vivido.

Consumir pouco não significa parar de comprar. Ora, vivemos numa sociedade capitalista. Se o comércio parar, o sistema quebra. E isso não seria bom para ninguém, me desculpem os esquerdistas. Consumir menos, prestar mais atenção na cadeia produtiva, fazer uma auto-crítica frente ao estímulo da mídia, repensar o ato de compra. Se cada um começar a acordar para pelo menos um desses pontos, já teremos um belo novo século.

Há algum tempo, li uma reportagem sobre o comportamento da mulher francesa. Em linhas gerais, afirmava que o ideal era ter no guarda-roupa cerca de 10 peças: de qualidade, atemporais e versáteis. Esse é um desprendimento que não consigo lidar, mas acho incrível. No meu armário tenho muita bugiganga de fast fashion que me arrependo nem um mês depois de comprar, ao mesmo tempo tenho vestidos com mais de 15 anos que seguem maravilhosos.

Minha meta pra 2014 é pensar menos e fazer mais. Quer dizer, comprar menos e pensar mais no que estou levando pra casa. Pra evitar o choque comportamental, vou começar devagar, fazendo uma limpa no guarda-roupa e passar adiante roupas que me fizeram feliz mas que não me satisfazem mais. Vamos todos?

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